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sexta-feira, 18 de abril de 2014

O que importa é o amor!

Jordan Wendle


O Khmer Vermelho, liderado pelo líder comunista, Pol Pot, foi uma ditadura de esquerda que durou vários anos no Camboja, matando mais de um milhão de pessoas inocentes, pelo simples fato, destes serem considerados intelectuais ou opositores ao regime.

Pol Pot mandou destruir as pagodas, os teatros e museus, ou transformá-los em chiqueiros para porcos. Somente poderia existir no país a população campesina, sendo então destruído qualquer rastro ligado a cultura, intelectualidade ou tecnologia.

Além das mortes brutais e do extermínio da classe artística por motivos políticos, o regime fez com a população morresse de fome. Os trabalhadores rurais trabalhavam como escravos, por 18 horas ao dia, e recebiam 1 xícara de arroz a cada 2 dias.

Várias crianças cambojanas ficaram órfãs durante o regime genocida do Khmer Vermelho. Muitas foram colocadas para adoção. Um deles é o atleta medalista americano, Jordan Wendle, que foi adotado há quase 15 anos, quando ainda era um bebê, pelo americano Jerry Wendle. Jordan vive hoje com seus dois pais, um casal gay que o educou com muito amor, carinho e o fez um homem digno, que ama a vida, a família e aquilo que faz.

O mundo, realmente, precisa de mais amor e menos preconceito! Exemplos como este, devem servir de referência.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A Vedete de "Amor à Vida"


O tão polêmico beijo gay na TV aberta, ou melhor na líder de audiência das emissoras brasileiras, que por sinal consegue produzir audiovisual nos padrões "hollywoodianos", não foi a grande vedete para aqueles que sentem na pele o que é o preconceito de orientação sexual.

Digo isto porque para os evangélicos com tesão homossexual recolhido, duas bocas que se encontraram foi o suprassumo para espumaram de ódio, há até alguns radicais que prometem entrar com um ação judicial contra a emissora! Afinal a sexualidade é algo sujo na religião cristã. Jesus morreu virgem, Maria se engravidou virgem, mesmo sendo casada e Eva foi condenada por demonstrar seu desejo de experimentar o pecado. O pecado passou a se chamar sexo.

Já vimos a mesma reação das sociedades na nosso história se repetir várias vezes. Há 60 anos atrás um beijo heterossexual no cinema causava indignação. Há 50 anos atrás um beijo heterossexual de língua causava indignação. Há 40 anos atrás a cena de sodomia do filme "O Último Tango em Paris", mesmo com os atores de roupa, chocou o mundo e foi censurada. Marlon Brando e Maria Schneider declaram ter se arrependido de protagonizarem o filme. O diretor foi execrado.

Acredito que daqui a 40 anos, todos vão rir do medo do tesão homossexual, aquele contido em quase todos os seres, desde a sua existência e responsável pela homofobia. Porém, enquanto estas quatro décadas não passam é sempre bom mostrar um outro lado daquilo que pode causar escândalo a alguém; a grande vedete do último capítulo do "Amor à Vida" foi a redenção do pai em admitir o amor que tinha pelo filho, independente de ele ser gay. Quem é gay sabe que o maior obstáculo social é a aceitação familiar, todos querem ser amados pelos pais, seus eternos heróis. Todos querem ser orgulho da família pelos seus feitos éticos e morais, pelo seu caráter. Todos querem ser orgulhosos por serem filhos que trazem o amor, o respeito e a dignidade como meta de vida. Ninguém quer trazer preocupação aos queridos progenitores. Por isso, afirmo que a sexualidade de cada um não pode ser julgada como algo vinculado ao seu caráter, como uma escolha, como uma onda modista. De todos os estudos sobre o tema, acredito que a tese apresentanda pelo neurocientista holandês, Dick Frans Swaab, autor de We are our Brains, a homossexualidade estaria ligada a uma mudança na composição hormonal da mãe durante a gestação que incidiria na formação da orientação sexual do bebê, ainda no útero.

Chega de culpar quem não tem culpa de nada. Vamos enxergar o encontro de dois lábios como uma celebração de amor e fazer estendê-lo aos corações de todos.

Parabéns ao Walcyr Carrasco, Mateus Solano, Thiago Fragoso e Rede Globo. Espero estar rindo desta polêmica dentro de pouquíssimo tempo!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Alexander Kargaltsev retrata o nu masculino contra a homofobia

O fotógrafo e cineasta russo, Alexander Kargaltsev, é o autor do livro de fotografias e também exposição na Spring Gallery de Nova York intitulados "Asylum".

Kargaltsev clicou vários gays russos que fugiram da violência e da discriminação em sua terra natal.

As fotos são belíssimas e foram descritas de maneira sensível pelo curador da exposição, Ivan Savvine:

"A nudez dos modelos é uma poderosa declaração visual imbuído de simbolismo. Eles não estão nus, mas despidos, pois tiveram a coragem de romper todos os medos e sair para se exporem ao mundo, de uma maneira vulnerável, mas orgulhosos."

Confira as fotos e o vídeo deste grande artista:







terça-feira, 17 de setembro de 2013

O Ódio Disfarçado de Feliciano

Estou realmente chocado com o nível do Pastor, Deputado Federal, Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, Marco Feliciano!
Em recente culto evangélico ministrado pelo parlamentar na avenida da praia de São Sebastião, no litoral norte paulista, Feliciano demonstrou o seu descontrole como líder, sua veia nazista e seu extremo ódio àqueles que discordam de seu código de conduta.

Feliciano (PSC-SP) mandou e instruiu, de cima do palco, os policiais a localizarem duas jovens em meio à multidão para as prenderem, após terem se beijado durante um culto ao ar livre.

Joana Palhares, de 18 anos, e Yunka Mihura, de 20, foram detidas, algemadas e espancadas pelos policiais enquanto Feliciano gritava: "O que pensam os pais dessas meninas que vêm a um culto para beijar outra mulher? Esses baderneiros terão o troco no ano que vem, pois seremos a maior bancada evangélica da história no Congresso". "Se os jornais publicarem matérias e derem razão para esses baderneiros, vou convocar uma grande manifestação nas portas desses jornais para protestarmos na próxima terça-feira".

Este é o comportamento de um déspota, tirano, alguém cheio de ódio que sequer dá importância a um ser vivo de qualquer natureza.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Evite Viajar à Rússia!

Quatro turistas holandeses foram detidos na Rússia por disseminar "propaganda gay", tornando-se os primeiros estrangeiros vítimas das leis anti-gays do país.

Um dos cidadãos holandeses, Kris Van Der Veen, estava trabalhando em um documentário sobre direitos dos homossexuais na Rússia, quando ele e seus três companheiros foram detidos.

De acordo com Gay Star News, o cineasta havia entrevistado um adolescente para seu filme, o que foi considerado uma afronta à lei anti-propaganda assinada pelo presidente Vladimir Putin, que considera como transgressão a exposição de carinho homoafetivo ou qualquer discurso, manifestação e parada alusiva a homossexualidade.

Os detidos já têm uma audiência marcada, em Moscou. Se condenados, eles podem enfrentar multas pesadas, além de até 14 dias de prisão e deportação.

Com isso, a Rússia torna-se um destino não recomendável para turistas, independentes de sua orientação sexual, uma vez que mesmos os (somente) amigáveis da causa LGBT estão sofrendo consequências humilhantes.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Morte de jovem francês por “skinhead” leva governo a atacar a extrema-direita

A homofobia na França se deve, em grande parte,
à maciça imigração de povos de cultura conservadora.
A angustiante tensão social e política em que vive a França nos últimos meses, marcados pela recessão econômica, o aumento histórico do desemprego e as maciças manifestações da Igreja Católica, da direita e da extrema-direita contra a lei do casamento gay, degenerou na quarta-feira na tragédia que muitos temiam. Clément Méric, um estudante de 18 anos, sindicalista, militante antifascista e aluno do primeiro ano de ciências políticas em Paris, foi brutalmente agredido por um grupo de “skinheads” [cabeças raspadas] de ideologia neonazista.

A vítima, filho de dois antigos professores de direito, ficou em estado de morte cerebral depois de receber um soco de um jovem de 20 anos ligado a um dos diversos grupos de extrema-direita que ganharam visibilidade nos últimos meses. Os médicos certificaram sua morte às 17h20 de quinta-feira.

O suposto agressor, que o jornal “Libération” identifica como Esteban M., de origem espanhola, havia sido detido pouco antes, junto com outras seis pessoas, entre elas uma mulher, que participaram do ato. Uma fonte policial explicou que o atacante aplicou em Méric um golpe com um soco-inglês e que o jovem caiu para trás e bateu a cabeça em uma estaca de ferro, ficando desacordado na calçada.

A polícia adiantou que alguns dos detidos “gravitam ao redor do núcleo duro” do grupo neonazista Juventudes Nacionalistas Revolucionárias (JNR), embora seu líder, Serge Ayoub, tenha tentado negar a acusação. As JNR foram fundadas em 1987 por Ayoub, e seus membros são conhecidos por usar a cabeça raspada, pelos distintivos nazistas e a extrema violência.

As forças da ordem agradeceram a colaboração de numerosas testemunhas da agressão, às 18h de quarta-feira, em uma rua de pedestres muito comercial, próxima às lojas de departamentos nos grandes bulevares de Paris. O relato dos fatos afirma que Méric visitava, com três amigos, uma loja de roupas situada em um andar quando encontrou um grupo de jovens radicais de cabeça raspada, jaquetas de aviador e botas militares. Depois de se provocarem mutuamente, os dois grupos desceram para a rua, discutindo. Mas a briga durou muito pouco. O agressor, descrito como um homem alto com uma suástica tatuada no pescoço, derrubou Méric com um soco. Segundo seus amigos, o rapaz estava frágil porque se recuperava de uma leucemia.

O presidente François Hollande, em visita oficial ao Japão, condenou “com a maior firmeza” a agressão e pediu “responsabilidade” das forças políticas “para não piorar ainda mais um clima que já é tenso demais”. O primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, afirmou no Senado que pediu aos ministérios do Interior e da Justiça que façam “o que for necessário para dissolver e reduzir a pedaços os grupos violentos de extrema-direita”. No Parlamento, foi feito um minuto de silêncio.

Os colegas de Méric no Instituto de Estudos Políticos de Paris lhe prestaram homenagem em um ambiente de consternação, raiva e medo. Cantaram a “Internacional” e velhas canções da resistência antifascista. Álex, amigo de Méric, descreveu a vítima como “um rapaz amável e muito comprometido” e confirmou que militava no sindicato esquerdista estudantil SUD.

O jovem –”um estudante brilhante”, segundo seus professores– também fazia parte da rede Ação Antifascista Paris-Periferia, que atribuiu a morte de Méric ao “contexto de violência da extrema-direita desenvolvido nos últimos meses”.

Os partidos demonstraram sua repulsa pela agressão, embora alguns tenham se envolvido em acusações cruzadas. A esquerda parlamentar e os sindicatos convocaram concentrações de repúdio em Paris e outras cidades. Na Espanha, houve atos de solidariedade diante das legações francesas.

O colíder do Partido de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, exigiu “a dissolução dos grupos de extrema-direita que multiplicaram os atos de violência nas últimas semanas” e salientou que “a violência que assassinou Méric não é fortuita, responde à cultura metodicamente exercida pelos extremistas” próximos da Frente Nacional.

Marine Le Pen, líder da FN, rejeitou qualquer envolvimento de sua formação na agressão e lembrou que desde que é presidente expulsou “todos os violentos” –esquecendo a presença de cabeças raspadas em seus comícios.

“A homofobia mata”

Um vídeo publicado no site do “Le Monde” mostra Méric, magro e baixo, com um lenço na boca, segurando diante dos policiais antidistúrbios um cartaz que diz: “A homofobia mata”. No lugar exato onde o jovem natural de Brest caiu fulminado na quarta-feira –”por suas ideias”, como salientou um colega de classe–, alguém escreveu na quinta: “Fascistas, fora de nossas vidas”. As pessoas que se concentraram para lhe prestar homenagem levavam flores e gritavam “Não passarão!”.

Entre as duas cenas, a do vídeo e a da quinta-feira, passou pouco mais de um mês. Em 17 de abril, Méric liderou uma pequena marcha contra a mobilização contra a lei do casamento gay, para gritar que o ódio mata. Em 6 de junho, Méric morria por causa de um golpe na cabeça produzido por um jovem neonazista.

Desde novembro passado, a direita e a extrema-direita tomaram as ruas para protestar contra a Lei do Casamento para Todos, promulgada no início de maio. Segundo explica o sociólogo Eric Fassin, “a Frente Nacional, sabendo que seu sucesso eleitoral depende da imigração mais que dos homossexuais, mostrou-se morna e prudente, e isso abriu uma oportunidade para os jovens mais radicais ganharem visibilidade e legitimar-se”.

A radicalização de todas as direitas –a religiosa, a xenófoba e a homófoba– se traduziu em um inferno quase cotidiano: houve dezenas de incidentes, tanto em Paris como em outras cidades francesas; mais de 250 detenções; insultos e ameaças contra ativistas, bares e locais gays, coroados com a surra brutal que sofreu o gay Wilfred de Bruijn, em Paris. Há um mês, 200 radicais invadiram a comemoração do título de bicampeão do PSG, produzindo vultosos danos no bulevar Champs-Elysées. Cenas parecidas foram vividas no final da manifestação nos Invalides.

Fonte: El País

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Vitória para a Homoparentalidade no França.

"Travamos uma batalha grandiosa e nobre", disse a ministra da Justiça, Christiane Taubira, principal promotora do projeto de lei.

A Assembleia Nacional francesa aprova lei que autoriza a adoção por casais do mesmo sexo além de legalizar o casamento homossexual. O projeto ainda será votado pelo senado, cuja a maioria é de socialistas e aliados, o mesmo partido do presidente François Hollande que apoia a causa.

A maioria da população francesa também aprova as novas medidas a esse repeito, segundo pesquisa realizada 51% se disseram a favor e 41% contra, lembrando que a minoria é formada por cristãos e muçulmanos que se baseam em dogmas religiosos, sem fundamentos de igualdade social.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Segundo o Site Terra: IBGE Afirma que 98% das cidades não tem lei específica para homossexuais

Fonte: www.terra.com.br 
Por Cirilo Junior 
Direto do Rio de Janeiro 

Ainda são poucos os municípios que reconhecem os direitos de gays, lésbicas, bissexuais e travestis, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apenas 1,8% das cidades têm alguma legislação específica que trata do reconhecimento de direitos do movimento LGBT. As informações fazem parte do Perfil dos Municípios Brasileiros 2011, divulgado nesta terça-feira. Dos 5.564 municípios, 54 adotam alguma legislação que reconheça o nome social adotado por travestis e transexuais, o equivalente a 1% do total. A região Nordeste tem o maior número de prefeituras (23) que levam em conta essa questão. No Sudeste, são 21 municípios que adotam legislação que levam em consideração o nome social de travestis e transexuais. Na região Sul, são seis cidades, pouco acima das quatro do Centro-Oeste. No Norte, nenhum município admite tal reconhecimento. Em relação à existência de programas ou ações para enfrentamento à violência contra o público LGBT, 8,7% das cidades informaram possuir alguma ação deste tipo. O maior percentual (12,9%) foi observado no Centro-Oeste. No Nordeste, 12,3% das cidades da região contam com algum programa para coibir a homofobia. Entre as cidades que contam com órgãos gestores de políticas de direitos humanos, 14% declararam possuir programas voltados para o público LGBT.

Grupo faz campanha pelo voto contra a homofobia

Por Leandro Oliveira
Fonte: http://www.eleicoeshoje.com.br/grupo-faz-campanha-pelo-voto-contra-a-homofobia/#axzz22QMbLZqh
Com as eleições municipais se aproximando em todo o país, um grupo virtual decidiu se organizar para enfrentar a homofobia nas urnas. A campanha “Eu voto contra a homofobia” foi elaborada pelo grupo “Todos Contra a Homofobia” e procura lembrar os eleitores LGBTs (e não) da importância de escolher candidatos que não possuam posturas homofóbicas.

De acordo com o idealizador da campanha, Marcio Marques o principal objetivo é demonstrar que os LGBTs têm voz e que juntos podem fazer a diferença. Ele explica que além de ajudar na aprovação de projetos que estão no congresso, o voto contra a homofobia também serve para combater o fundamentalismo religioso. “Precisamos de políticas voltadas aos LGBTs, de pessoas que nos defendam. Por este motivo temos que estar atento aos candidatos que nos apoiam” explica.

Para participar da campanha, você precisa enviar uma foto com a frase “Eu voto contra a homofobia” para contra.a.lgbtfobia@gmail.com. E claro votar direito nas eleições! Para mais detalhes acesse o blog oficial da campanha www.euvotocontra.wordpress.com

Artistas brasileiros apoiam o casamento gay.


Seguindo os moldes das campanhas internacionais, o Deputado Jean Wyllys conseguiu o apoio da classe de artistas que deram depoimentos a favor da igualdade de direitos civis para casais de mesmo sexo.


Fazem parte da campanha nomes importantes como Caetano Veloso, Chico Buarque, Ivan Lins, Cauã Reymond.

Veja a campanha e PEC clicando aqui.

Sandy se diz a favor da união civil entre gays.


Foi uma declaração muito sensata que resume bem a realidade vivida pelos LGBTs.

Leia:
"Vejo como uma coisa natural. Sou a favor do casamento gay. Acho que todo mundo tem os mesmos direitos: de ser feliz. O problema maior hoje é a homofobia, crime hediondo, cruel. A gente, às vezes, fica focada nos grandes centros, e esquece que no interior do país, nos redutos atrasados, a homofobia está presente de forma muito mais selvagem, diante da ausência do Estado".

Adolescência


Adolescente que foi vítima de agressão homofóbica em uma escola pública de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, confessa ter pensado em suicídio. O garoto escreveu um email de socorro a ABLGT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) e só assim conseguiu que alguém desse atenção às constantes agressões sofridas, até então, deliberadamente, ignoradas pelos professores e diretores da escola.


“Quando eu comecei a escrever, era uma carta de suicídio. Eu não aguentava mais aquilo. Só depois percebi que podia pedir ajuda para outras pessoas. Foi então que eu mandei para a associação. Ainda tenho medo de sair na rua e sofrer retaliação”, diz o estudante. Ele já trocou de escola, mas o receio de homofobia permanece. “Fui para um colégio particular. Não sei como as pessoas vão reagir porque quase ninguém sabe que sou gay.”

A entidade informa que lançará uma campanha contra o bullying escolar e recomenda os estudantes que registrem um boletim de ocôrrência em caso de agressão, liguem gratuitamente para o Disque 100, e ainda enviem a denúncia para presidencia@abglt.org.br, para que eles possam acompanhar os casos.

Homofobia é a negação do próprio desejo homossexual.


Um experimento efetuado pela Universidade de Georgia, nos USA (veja a íntegra do estudo clicando aqui), comprova a velha afirmação: "Os homóbicos sentem ódio, repulsa ou nojo dos homossexuais porque não conseguem conviver com o próprio desejo homossexual, por isso sentem a necessidade de exterminar qualquer ameaça, negando ou odiando a homossexualidade".

Esta afirmação já tem respaldo de um ramo da psicologia que afirma que todo ser humano tem um desejo homossexual, mesmo que em níveis diferentes, tempos diferentes e variando de pessoa para pessoa, mas (sim) trata-se de algo natural do homem.

O estudo americano se baseou na associação da imagem homossexual & excitação. Para entender melhor, a experiência reuniu um grupo de 64 homens heterossexuais que foram perguntados o quanto se sentiam confortáveis ao redor de homens gays ou presenciando cenas homoafetivas. Daí foi dividido em dois, de acordo com os seguintes resultados:

Grupo 01, aqueles que se mostravam incomodados, enojados ou desconfortáveis (35 participantes);

Grupo 02, aqueles cujo o conforto social era indiferente à homossexualidade alheia, ou seja não se sentiam desconfortáveis ou enojados (29 participantes).

A partir daí se iniciou o teste da seguinte maneira, todos os homens foram colocados em salas privativas para assistir à vídeos com cenas de afetividade e sexo com duração de quatro minutos cada: um contendo cenas de sexo entre um homem e uma mulher; outro, entre duas mulheres; e o último, entre dois homens.

Durante a sessão, um dispositivo foi ligado ao pênis de cada participante para medir o nível de excitação sexual de cada um. Tal dispositivo era capaz de identificar a excitação sexual sem confundi-la com outros tipos de excitação, como nervosismo ou medo, através do aumento do pênis (ereção).

Sem grandes surpresas os resultados mostraram que enquanto assistiam aos vídeos de sexo heterossexual ou lésbico, tanto o grupo homofóbico quanto o não-homofóbico tiveram aumento da circunferência do pênis, o que denota excitação. Durante o filme gay masculino, apenas o grupo daqueles que se mostravam incomodados, enojados ou desconfortáveis com os homossexuais (Grupo 02), exibiu sinais de excitação sexual, ou seja, tiveram ereção.

O resultado da pesquisa então mostrou que a homofobia está intimamente ligada à não auto-aceitação do desejo homossexual.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Pare a Homofobia!!!!!

O professor Cleides Antônio Amorim, 42 anos, foi brutalmente assassinado na semana passada. O Brasil abre 2012 como líder em crimes homofóbicos no mundo. De acordo com informações da Polícia Civil, divulgadas pela imprensa local, o professor estava em um bar em Tocantinópolis com mais dois amigos, onde foi verbalmente agredido com insultos homofóbicos por um homem identificado como Gilberto Afonso de Sousa que o esfaqueou o à morte.

Até quando as instituições evangélicas vão fingir que não vêm nada e continuarão fazer campanha contra a criação da lei especial de punição à crimes homofóbicos?
Assine carta que será entregue a Ministro exigindo que ele investigue estes crimes imediatamente.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sobre o casal de sargentos gays que sofre ameaças.

Foto meramente ilustrativa e sem vínculo nenhum com o verdadeiro casal da notícia.
Casal responde a Bolsonaro
POR RUDOLFO LAGO
Fonte: http://congressoemfoco.uol.com.br

Laci Marinho, nascido no Rio Grande do Norte há 39 anos, é um sargento do Exército. Fernando Alcântara, pernambucano de 37 anos, foi, até o ano passado, também sargento do Exército. Eles são a prova viva de que o ódio do …

Para Fernando e Laci, sargentos e gays, Bolsonaro é porta-voz de uma minoria da cúpula do Exército que tem uma visão autoritária e conservadora do mundo
Laci Marinho, nascido no Rio Grande do Norte há 39 anos, é um sargento do Exército. Fernando Alcântara, pernambucano de 37 anos, foi, até o ano passado, também sargento do Exército. Eles são a prova viva de que o ódio do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) aos homossexuais não é, como ele se esforça para expressar, um sentimento comum a todo e qualquer soldado das Forças Armadas. Porque Laci e Fernando são, eles próprios, homossexuais. Eles são um casal. “A verdade é que a visão ultrapassada de Bolsonaro reflete hoje o pensamento de uma minoria dentro das Forças Armadas. Mas, infelizmente, uma minoria que tem muita influência”, diz Fernando. Para ele, esse pensamento conservador, resquício da mentalidade de militares mais velhos, que fizeram sua carreira durante a ditadura, é muito forte na cúpula das Forças Armadas, entre os seus comandantes. Na tarde de sexta-feira (1), ele e Laci deram uma entrevista exclusiva ao Congresso em Foco.

Para Fernando e Laci, Bolsonaro tem sido uma espécie de porta-voz não formal do pensamento dessa elite militar. Eles armam o circo, e Bolsonaro, o palhaço, se apresenta, ataca Laci.

Fernando e Laci tornaram-se famosos em agosto de 2008. Na capa da revista Época, eles viraram o primeiro casal de homossexuais a assumir claramente a sua orientação. A entrevista que deram à revista foi a forma escolhida pelo casal para denunciar a situação que viviam. Por conta da sua orientação sexual, os dois vinham sendo perseguidos. A homossexualidade foi a desculpa encontrada, contam eles, principalmente para calar Fernando. Considerado então um militar de reputação ilibada, com várias condecorações, Fernando tornou-se responsável por uma seção do Exército que autorizava, no plano de saúde, cirurgias de alto custo. Verificou a existência de um esquema de fraudes nessas autorizações. Ao denunciar o fato, ele conta que começou a ser perseguido. “Fizeram uma devassa na minha vida para encontrar fragilidades. E a fragilidade encontrada foi a minha homossexualidade”, diz ele.

Companheiro de Fernando, Laci era mais frágil. Tinha a saúde afetada por um problema neurológico. Iniciou-se um processo para minimizar os problemas de saúde de Laci, para obrigá-lo a trabalhar mesmo doente. Como Laci não conseguia comparecer ao serviço quando estava doente, foi considerado desertor, e chegou a passar 58 dias preso. Por conta da homossexualidade, foi Laci quem primeiro chamou a atenção. Nas suas horas de folga, ele tinha uma banda, onde fazia cover da cantora Cassia Eller. Hoje, ele tenta obter a reforma – aposentadoria – por conta da doença. Já Fernando preferiu desistir de enfrentar um processo disciplinar e deixou o Exército.

Para ambos, sua situação, por mais que os tenha feito sofrer, é o sinal de que as mudanças que acontecem na sociedade refletem-se também nas Forças Armadas. E a agressividade de Bolsonaro é uma reação a essas mudanças. Ou talvez, como sugere Laci, uma reação particular de cunho psicológico. “Tenho plena convicção de que ele é um gay internalizado. Que, sozinho, em frente ao espelho, ele diz: Eu sou uma bichona!

Na entrevista abaixo, percebe-se que Fernando é mais falante que Laci, mas também bem mais diplomático:

Congresso em Foco – Toda vez que surgem polêmicas como essas das declarações de Jair Bolsonaro, vem a ideia de que a carreira militar é incompatível com a homossexualidade. Como vocês respondem a isso?
Fernando - O deputado Bolsonaro é uma voz remanescente de uma turma que está vinculada a um pensamento ultrpassado, arbitrário, antidemocrático. A questão da opção sexual jamais vai definir o caráter de qualquer profissional, independentemente do ramo de trabalho. O que existe nas Forças Armadas é um grande tabu, vinculado à ideia da necessidade de uma certa virilidade para o combate. Dissemina-se que um homossexual não teria a autoridade necessária para o comando.

E isso é verdade?
Fernando – Existem líderes militares históricos, comandantes de grandes exércitos, que eram homossexuais. O caso, por exemplo, de Alexandre, o Grande. A tropa, de um modo geral, conhecia a sua orientação sexual, e isso jamais o impediu de ter grandes vitórias militares. É verdade, era um outro tempo, uma outra cultura. Essa perseguição à homossexualidade cresce com o cristianismo. Mas o fato é que a orientação homossexual  de Alexandre, o Grande, não o impediu de ser um grande soldado.  Além disso, é uma grande mentira achar que os únicos dois homossexuais no Exército éramos eu e o Laci.

Vocês não são um caso isolado, então?
Fernando – Estamos longe de sermos um caso isolado. O fato de nós dois termos saído do armário, como se diz, não significa que eu deva cobrar o mesmo de outros que não queiram fazê-lo. Mas a gente conhece ene casos de até generais que são homossexuais. Eu já vivi experiências muito desconfortáveis de ter sido assediado dentro da caserna. E nem por isso deixei de obedecer ao comando dessas pessoas. Claro, não se pode aceitar assédio, porque é um comportamento que não cabe em nenhuma profissão. Mas não é pelo fato de ser homossexual que essa pessoa não tenha capacidade de comando.

Há, então, um comportamento hipócrita?
Fernando – E que se torna extremamente autoritário para quem enfrentar a hipocrisia e assumir a verdade das suas opções. As Forças Armadas estão inseridas na nossa sociedade. Não pode prevalecer essa visão ultrapassada de Bolsonaro de uma instituição à parte do resto da sociedade, com regras e leis próprias.

Mas Bolsonaro certamente deve falar por uma parcela da sociedade e das Forças Armadas …
Fernando – O que eu acredito é que o Bolsonaro queria  ganhar exposição. Duvido que ele tivesse mesmo confundido a palavra negra dita por Preta Gil pela palavra gay. Isso é altamente improvável. Ele realmente buscou uma aparição pública. É típico de políticos inescrupulosos como ele. O Bolsonaro é que é o verdadeiro Tiririca. E aqui não quero de modo algum desmerecer o Tiririca. É que o palhaço, de fato, é ele. É claro que existem, sim, débeis mentais – não dá para usar outra palavra – que votam nele. Afinal, me parece que ele já tem sete mandatos. Mas isso precisa mudar. E está mudando.

Mas ainda seria muito forte o preconceito nas Forças Armadas?
Fernando – Quantos comandantes negros nós tivemos? Quantas mulheres em postos de comando? Ninguém. Mas eu acredito que a fala de Bolsonaro hoje é representativa de um pequeno grupo. Mas de um pequeno grupo que ainda tem muita capacidade de influência. Não é muito diferente de como pensam os principais comandantes e generais do Exército. O Bolsonaro funciona como um mal necessário. Ele não reflete o comportamento institucional do Exército que até, por força da disciplina, evita se manifestar em questões polêmicas. Como o Bolsonaro não tem esse compromisso, aciona-se ele. Curioso que o Bolsonaro se diga representante dos militares, enalteça tanto os militares, e já há muito tempo ele não seja um militar.

Ele não seria tanto assim representante dos militares?
Fernando – Não no sentido de realmente discutir e ser capaz de concretizar os anseios dos militares. Por que, por exemplo, ele não discute o fato de o soldado, na ativa, não poder votar e ser votado? O soldado é cidadão de segunda classe? Por que não discute o absurdo de um soldado ser preso disciplinarmente e não ter direito a habeas corpus? De não ser julgado pela mesma justiça dos demais cidadãos? Por que não discute os códigos militares obsoletos? A questão da remuneração dos militares, cada vez mais aviltada?

Laci - Eu penso que Bolsonaro, na verdade, é um malandro que finge ser representante dos militares para viver de dinheiro público. Como militar, que eu ainda sou, eu vejo que ele é totalmente desacreditado na instituição. Ele é usado pela cúpula para dar esses recadinhos, pra fazer esse auêzinho. Mas, no meio, ele é desacreditado. Acham que ele é um palhaço.

Fernando -– A gente fica buscando algo de concreto que ele tenha feito pela família militar, e não acha.

Laci -– Ele tem o circo montado. Ele é o palhaço para angariar os votinhos dele. Na verdade, eu tenho plena convicção de que, na verdade, o Bolsonaro é um gay internalizado, um homossexual dentro de uma concha.

Você tem convicção disso? Que o ódio dele aos homossexuais vem daí?
Laci -– Ele vê no espelho um homossexual e quer matar, destruir ele mesmo. A voz dele tem que ecoar para os quatro cantos do mundo e dizer: “Eu não sou isso! Eu não sou isso!”. Mas quando ele olha no espelhinho dentro de casa, ele deve dizer: “Eu sou uma bichona!” Ele deve ficar com vontade de quebrar o espelho. Garanto que ele quebrou muitos espelhos na casa dele.

Fernando -– Quando você é heterossexual convicto, porque a homossexualidade vai lhe incomodar tanto?

Em contrapartida, como, de fato, repercute no meio militar a situação de vocês? Há apoio a vocês no meio militar?
Fernando -– Às vezes, é difícil para a sociedade civil entender o que acontece no meio militar. A obediência no meio militar se dá muitas vezes pelo medo. Um comandante pode mandar prender um soldado por até 30 dias sem dar satisfação a ninguém. Então, as pessoas se retraem. Elas dão apoio velado. Nós sentimos que tivermos um grande apoio, mesmo que velado. E houve gente que se expôs e deu apoio explícito. E pagaram um preço alto por isso. Por exemplo, um major médico que atendeu o Laci e viu que ele estava doente, e que não era verdade a história de deserção, que teve prejuízos sérios por essa posição.

O que pode acontecer com quem claramente se manifesta, por exemplo, a favor de vocês?
Fernando –- Há diversas formas de punição, também veladas. Pode-se alegar um outro motivo para punir. Ou mesmo criar dificuldades para a vida do militar. Imagine o transtorno que é para um militar, por exemplo, que está com a sua vida estruturada, filhos na escola, ser de uma hora para outra transferido para outra cidade. Muitas vezes, alega-se a necessidade dessa transferência para punir alguém. E o soldado, para manter a sua vida estável, se cala. É mais fácil a pessoa se acovardar. No caso do Laci, 18 médicos se envolveram para criar a história de que ele era um desertor. Cumprimento do dever não tem outro nome, às vezes, que covardia, não ter coragem de reagir a isso. Por outro lado, se você reage, acontece como está acontecendo conosco. O que eu vou fazer da vida? Eu tenho 15 anos de vida no Exército, com uma ficha considerada irrepreensível, diversas condecorações. Nunca fiz outra coisa. Não sei fazer outra coisa. Então, a gente não pode ser tão taxativo ao condenar quem se cala. Mas não deixa de ser uma forma de covardia.

Quando vocês entraram no Exército, vocês já tinham assumido a orientação sexual de vocês? Como isso surgiu?
Fernando -– No meu caso, foi muito difícil a descoberta da homossexualidade. Eu vim de uma família muito católica, muito conservadora. A Igreja é muito perversa nesse sentido, de que tudo é pecado, que se desvia da dita normalidade. Então, no meu caso, essa descoberta durou muito tempo. Quando eu entrei no Exército, eu ainda não tinha essa convicção do que de fato eu era como ser humano. Eu sentia necessidade de experimentar, mas não tinha coragem. O despertar aconteceu já nas Forças Armadas. E o que isso mudou na minha carreira militar? Nada. Isso me traz uma mágoa muito grande. Por que, de uma hora para outra, eu já não era mais o soldado de ficha ilibada, com medalhas por bons serviços prestados à Nação?

E no seu caso, Laci?
Laci -– Para mim, foi uma coisa mais natural. Antes de entrar no Exército, já sentia atração por pessoas do mesmo sexo. Na minha juventude, meus relacionamentos eram com mulheres, mas eu tinha atração por homens. Eu não tive problema na cabeça com relação a isso. Se eu gostasse de uma mulher, ficaria com uma mulher. Se gostasse de um homem, ficaria com um homem. Na minha cabeça, era assim.

Na sua cabeça. E na prática?
Laci –- Na prática, a gente começou o relacionamento em 1997. Foi o primeiro relacionamento assim.

E a perseguição, como começou?
Fernando -– O ano que marcou tudo foi 2006. Desde 2001, o Laci tinha um problema neurológico que o afastava de algumas atividades. Ele tem umas síncopes, umas vertigens, que o atacam de vez em quando. E durante muito tempo, o Exército aceitou isso. Em 2006, ele ficou de cama um bom tempo. Mas, na verdade, a perseguição começou sobre mim.

Sobre você?
Fernando –- Eu era gerente de um sistema de saúde que autorizava cirurgias de algo custo. E verifiquei que havia um esquema de fraudes. A coisa foi tomando uma proporção muito grande que saiu do controle. Como começou a crescer, atingir muita gente, começaram uma verdadeira devassa na minha vida para me atacar. Buscavam um ponto fraco. E o ponto fraco foi a questão da homoafetividade. Antes de nós começarmos a nos relacionar, nós morávamos juntos, numa república. E, embora depois a gente não confirmasse a nossa relação, começaram os comentários. A coisa foi ganhando uma proporção cada vez maior. Aí, para encobrir a corrupção que havia na questão da autorização para cirurgias de alto custo, começou a perseguição. “Tem que perseguir esses dois viados filhos da puta”, como disseram.  A coisa começou com punições rotineiras. Chegou atrasado, não fez determinado exercício, etc. A maioria abaixa a cabeça. E isso é a razão dos diversos suicídios que acontecem no meio militar. A diferença é que não abaixamos a cabeça. Ao contrário, fomos cada vez reagindo mais. A gente resolveu enfrentar a situação. E a gente percebeu que a forma melhor de enfrentar era dizer a verdade. Porque a verdade incomoda muito. Então, procuramos a revista Época para explicitar a verdade. Nós já tínhamos procurado o Ministério Público. Mas a justiça é extremamente lenta. Então, nós fomos à imprensa para denunciar nossa situação como forma de nos defendermos.

E isso resolveu?
Fernando – Houve mais perseguição. Houve uma ordem para sermos transferidos, para nos separar. Eu iria para São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, e ele para o estado de São Paulo. A Procuradoria dos Direitos do Cidadão barrou essa transferência. E, aí, diante da doença do Laci, foi mais fácil partir para cima dele. Dizer que não havia doença nenhuma, e caracterizar as ausências dele como deserção. Puniram ele para me calar. Quando a coisa se tornou insuportável, procuramos a revista Época. Nosso relacionamento e a denúncia do que estávamos passando virou capa da revista. Foi aí que eu creio que se armou uma armadilha para nós.

Que armadilha?
Fernando –- Nós fomos convidados a ir a São Paulo para dar uma entrevista ao programa de Luciana Gimenez, na rede TV!, logo depois da publicação da revista. O Laci, para o Exército, era tido como foragido, porque ele era classificado como desertor. Para ir para São Paulo, providenciamos a saída por Goiânia, porque se saíssemos por Brasília, Laci seria preso no aeroporto. Nós combinamos rotas de fuga com a emissora para o caso de se tentar cumprir a ordem de prisão de Laci. Mas, ao contrário, enquanto o programa acontecia, a emissora foi sendo cercada. Um aparato extremamente desproporcional. Laci saiu da emissora preso. Ele foi primeiro para um hospital militar em São Paulo. Mas, no dia seguinte, às 6h, um helicóptero pousou e nos levou para o aeroporto. De lá, fomos colocados num avião Bandeirantes, de lançamento de tropa de paraquedistas, e não sabíamos para onde nós iríamos. Passa tudo pela cabeça da gente nessa hora. Nos levaram para Belo Horizonte. Eu só fiquei mais tranquilo depois que o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) entrou e nos protegeu. Mas, quando chegou o fim de semana, estávamos já em Brasília, levaram Laci para o quartel. Deram uma surra nele. Tortura. Saco plástico na cabeça. Ficou lá preso 58 dias. Até que o Superior Tribunal Militar mandou que ele fosse solto. Foi uma grande vitória. Abre precedentes para outros casos de deserção, porque há um entendimento firmado de que o desertor tem que ficar 60 dias preso pelo menos esperando o processo. Essa decisão abre precedentes para outras. Enfim, nós tivemos situações constrangedoras, mas muita coisa foi conquistada. Nossa história vai ser levada até maio para a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Nossa proposta é condenar o país por esses abusos. Porque o Exército é uma instituição do governo brasileiro. A estrutura governamental foi extremamente condescendente com esse estado de coisas.

O desejo de vocês, ao final do processo, é a reincorporação às Forças Armadas?
Fernando –- No caso do Laci, ele ainda é soldado.

Na ativa?
Laci –- Estou na ativa. De licença médica, agora.

Fernando –- Eu saí. Fui obrigado a sair. Eles começaram um processo de expulsão. Seria um processo demorado. Enfrentar esse processo iria me atrapalhar. Na defesa de Laci. Eu depois escrevi um livro. Eles me deram uma porta de saída. Eu saí.

Laci – No meu caso, há um processo de reforma, por meus problemas de saúde. Eu, normalmente, já deveria ter sido reformado – aposentado. Mas isso não aconteceu por conta dessa perseguição.

Fernando –- O que a gente sofreu, não há dinheiro que pague. Vai ficar marcado para o resto das nossas vidas. O reconhecimento da perseguição homofóbica ajudaria a diminuir esse sentimento de injúria que sofremos. E serviria como exemplo para outros casos não aconteçam. Porque, insisto, o nosso caso não é um caso isolado.
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