quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A Vedete de "Amor à Vida"


O tão polêmico beijo gay na TV aberta, ou melhor na líder de audiência das emissoras brasileiras, que por sinal consegue produzir audiovisual nos padrões "hollywoodianos", não foi a grande vedete para aqueles que sentem na pele o que é o preconceito de orientação sexual.

Digo isto porque para os evangélicos com tesão homossexual recolhido, duas bocas que se encontraram foi o suprassumo para espumaram de ódio, há até alguns radicais que prometem entrar com um ação judicial contra a emissora! Afinal a sexualidade é algo sujo na religião cristã. Jesus morreu virgem, Maria se engravidou virgem, mesmo sendo casada e Eva foi condenada por demonstrar seu desejo de experimentar o pecado. O pecado passou a se chamar sexo.

Já vimos a mesma reação das sociedades na nosso história se repetir várias vezes. Há 60 anos atrás um beijo heterossexual no cinema causava indignação. Há 50 anos atrás um beijo heterossexual de língua causava indignação. Há 40 anos atrás a cena de sodomia do filme "O Último Tango em Paris", mesmo com os atores de roupa, chocou o mundo e foi censurada. Marlon Brando e Maria Schneider declaram ter se arrependido de protagonizarem o filme. O diretor foi execrado.

Acredito que daqui a 40 anos, todos vão rir do medo do tesão homossexual, aquele contido em quase todos os seres, desde a sua existência e responsável pela homofobia. Porém, enquanto estas quatro décadas não passam é sempre bom mostrar um outro lado daquilo que pode causar escândalo a alguém; a grande vedete do último capítulo do "Amor à Vida" foi a redenção do pai em admitir o amor que tinha pelo filho, independente de ele ser gay. Quem é gay sabe que o maior obstáculo social é a aceitação familiar, todos querem ser amados pelos pais, seus eternos heróis. Todos querem ser orgulho da família pelos seus feitos éticos e morais, pelo seu caráter. Todos querem ser orgulhosos por serem filhos que trazem o amor, o respeito e a dignidade como meta de vida. Ninguém quer trazer preocupação aos queridos progenitores. Por isso, afirmo que a sexualidade de cada um não pode ser julgada como algo vinculado ao seu caráter, como uma escolha, como uma onda modista. De todos os estudos sobre o tema, acredito que a tese apresentanda pelo neurocientista holandês, Dick Frans Swaab, autor de We are our Brains, a homossexualidade estaria ligada a uma mudança na composição hormonal da mãe durante a gestação que incidiria na formação da orientação sexual do bebê, ainda no útero.

Chega de culpar quem não tem culpa de nada. Vamos enxergar o encontro de dois lábios como uma celebração de amor e fazer estendê-lo aos corações de todos.

Parabéns ao Walcyr Carrasco, Mateus Solano, Thiago Fragoso e Rede Globo. Espero estar rindo desta polêmica dentro de pouquíssimo tempo!

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